Prefeitos da região afetada pelo litígio entre o Piauí e o Ceará compartilharam durante um ciclo de debate na Associação Piauiense de Municípios (APPM) suas preocupações com os obstáculos enfrentados na realização de obras, especialmente a construção de estradas. Os prefeitos de Cocal dos Alves e Pedro II afirmaram que o governo do Ceará está avançando territorialmente em áreas piauienses, o que tem impactado diretamente o desenvolvimento local.
Um levantamento realizado pela Procuradoria do Estado do Piauí revelou um avanço do Ceará sobre o território piauiense, estimado em cerca de 507 quilômetros quadrados. Essa situação tem gerado impedimentos para a execução de projetos de infraestrutura, como a construção de estradas, como destacou a prefeita Betinha Brandão, de Pedro II, que foi impedida de construir uma estrada na zona rural de sua cidade devido à incerteza sobre a posse da área.
O prefeito de Cocal dos Alves, Osmar Vieira, também confirmou a expansão do território cearense na região, especialmente em pontos turísticos locais.
A reunião contou com a participação do presidente da APPM, Toninho da Caridade, dos deputados estaduais Gil Carlos (PT) e Ziza Carvalho (MDB), além de prefeitos locais e do procurador do Estado, Lívio Bonfim.
O professor doutor Eric Melo, assistente técnico da Procuradoria Geral do Estado (PGE), explicou durante o evento que na ação no Supremo Tribunal Federal (STF), o Piauí apresentou 10 mapas históricos e seis documentos, incluindo cartas, alvarás e decretos, que corroboram a tese de que a divisão entre os estados ocorre no ponto mais alto da Serra da Ibiapaba, conforme documentos datados de 1535 a 1913.
Em maio, o Exército enviará ao STF a conclusão da perícia sobre o novo mapa entre os dois estados. O litígio teve origem em um decreto imperial de 1880, assinado por Dom Pedro 2º, e desde então o Piauí tem buscado reivindicar uma área de quase 3 mil km² devido a imprecisões nas divisas entre os estados.
Toninho da Caridade, presidente da APPM, enfatizou a importância de unir esforços para resolver esse impasse centenário, reconhecendo a relevância econômica da área em disputa para o estado do Piauí, mas também ressaltando a necessidade de considerar o bem-estar das pessoas afetadas.


