Lívio Fernando de Oliveira Sousa, conhecido como Lívio da Caverna, foi preso na manhã desta quinta-feira (20), durante a segunda fase da Operação Chip Falso, deflagrada pelo Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), da Polícia Civil do Piauí. O suspeito foi localizado em uma residência no bairro Três Andares, na zona Sul de Teresina.
Segundo a investigação, Lívio é apontado como mentor e líder de um grupo especializado em fraudes eletrônicas e invasões de sistemas de telefonia, com prejuízo estimado em pelo menos R$ 500 mil.
Grupo aplicava golpe do SIM Swap
De acordo com a Polícia Civil, o grupo utilizava o golpe conhecido como SIM Swap, técnica que consiste na transferência ilegal da linha telefônica de uma vítima para um chip controlado pelos criminosos.
Com o controle do número, os investigados conseguiam acessar contas vinculadas ao telefone e utilizar dados das vítimas para aplicar diferentes tipos de golpes.
Entre as práticas investigadas está a clonagem de contas do WhatsApp. A partir do acesso aos números, os criminosos poderiam assumir os aplicativos de mensagens e aplicar golpes como o do falso parente e do falso advogado, além de solicitar dinheiro aos contatos das vítimas.
As investigações apontam ainda para invasões de contas bancárias, transferências indevidas e compras fraudulentas utilizando informações das pessoas atingidas.
Para tentar burlar os mecanismos de segurança das operadoras de telefonia, o grupo teria utilizado documentos falsificados, selfies biométricas manipuladas e imagens produzidas com inteligência artificial, em uma técnica conhecida como injeção de selfie.
Suspeito recrutava pessoas para fornecer biometria
Segundo o DRCC, Lívio seria responsável por recrutar pessoas para fornecer dados biométricos utilizados nas fraudes.
Pelo menos 120 pessoas teriam fornecido informações utilizadas pelo grupo para realizar transferências de linhas telefônicas de clientes de diferentes regiões do país.
A investigação aponta que os integrantes abordavam pessoas em festas e ofereciam dinheiro em troca do fornecimento de cadastros e da biometria facial.
Uma residência no bairro Monte Castelo teria sido utilizada inicialmente para atrair participantes. Após o imóvel ser identificado pela polícia, os investigados teriam transferido as atividades para outro endereço e continuado com o esquema.
Companheira também é investigada
Lívio era considerado foragido e foi localizado pelos policiais no bairro Três Andares. Conforme a investigação, ele não reagiu à abordagem.
O suspeito é companheiro de Rosana Rodrigues da Silva, apontada pela Polícia Civil como uma das principais articuladoras do esquema. Ela foi presa após se apresentar às autoridades no dia 30 de julho.
Rosana é ex-funcionária de uma empresa de telefonia e, segundo as investigações, teria utilizado conhecimentos e informações sobre os sistemas da operadora para auxiliar nas fraudes.
Em depoimento, ela afirmou ter sido utilizada pelo companheiro. A Polícia Civil, entretanto, diz ter reunido elementos que indicariam a participação dela no grupo criminoso.
Operação
Ao todo, seis pessoas foram presas durante a segunda fase da Operação Chip Falso, enquanto outros 16 alvos ainda são procurados pelas forças de segurança.
A primeira fase da operação foi deflagrada em 15 de julho, quando foram cumpridas 30 ordens judiciais em Teresina. Na ocasião, dez pessoas foram presas e celulares e computadores foram apreendidos.
As investigações continuam para identificar outros envolvidos e dimensionar o total de vítimas e prejuízos provocados pelo grupo.


