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Delegado Charles Pessoa afirma que não vai recuar após plano de atentado no Piauí

O delegado Charles Pessoa, candidato a deputado federal pelo PV, afirmou que não pretende recuar diante das ameaças de morte investigadas pelas forças de segurança do Piauí. Segundo as investigações, uma organização criminosa teria destinado aproximadamente R$ 1 milhão para estruturar um plano de execução contra ele e o delegado Ayslan Magalhães.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), os recursos seriam utilizados para contratar executores de outro estado, além de garantir armamentos, veículos e um imóvel para dar suporte à ação criminosa. Uma operação foi deflagrada nesta segunda-feira (28) para desarticular o grupo, com diligências também na Bolívia e no Uruguai, contando com apoio da Interpol.

Com duas décadas de atuação na área de segurança pública, Charles Pessoa ocupava anteriormente a função de coordenador do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO). Ele classificou a situação como desconfortável, mas disse que as ameaças não irão interferir em sua atuação.

“Jamais nós iremos recuar para qualquer tipo de ameaça. Se esses criminosos estão nos ameaçando, é sinal que eles foram incomodados por essas ações. O nosso objetivo é intensificar ainda mais. No nosso dicionário não existe a palavra medo relacionado a esse tipo de ameaça”, declarou.

Plano de atentado durante ato político

As investigações apontaram que um dos planos seria executar o delegado durante um ato político realizado na quinta-feira (24), no bairro Mocambinho, na zona Norte de Teresina.

O serviço de inteligência identificou previamente a movimentação e as forças de segurança conseguiram impedir que o atentado fosse concretizado. Após a descoberta, Charles Pessoa e sua equipe precisaram alterar parte da rotina e reforçar as medidas de segurança.

O delegado já contava com escolta policial e passou a adotar cuidados adicionais nos últimos dias.

“Identificaram, inclusive, uma das academias que eu estava frequentando. Hoje eu não estou indo mais nem para a academia, em razão dessas ameaças. Recebemos a informação relacionada à situação de um possível atentado no decorrer da caminhada. Tivemos que repensar, redobramos a segurança”, afirmou.

Monitoramento de rotina

Além do acompanhamento da agenda de campanha, os investigadores descobriram que integrantes da organização criminosa teriam monitorado os treinos do delegado em uma academia e seus deslocamentos diários.

Segundo as apurações, os suspeitos acompanhavam a divulgação dos compromissos públicos de Charles Pessoa e avaliavam oportunidades para executar o plano.

O delegado afirmou que outras tentativas de atentado contra sua vida já foram desarticuladas anteriormente e reforçou que pretende continuar atuando no combate às organizações criminosas.

“Vocês não irão me intimidar, em hipótese alguma. Eu não irei recuar para qualquer tipo de ameaça. Pelo contrário, vocês podem ter certeza que o delegado Charles está mais motivado, mais encorajado para continuar o nosso propósito”, afirmou.

Investigações apontam estrutura organizada

Conforme a investigação, o plano teria sido articulado após ações policiais provocarem prejuízos milionários ao tráfico de drogas no Norte do Piauí. Entre as operações citadas está uma ação realizada em Bom Princípio do Piauí, onde foram apreendidas aproximadamente uma tonelada de drogas, principalmente cocaína.

A polícia aponta que, após as perdas provocadas pelas ações de combate ao crime, integrantes da organização passaram a planejar os ataques contra os agentes públicos, com distribuição de tarefas e utilização de recursos financeiros e logísticos.

Entre os investigados estão Adriano do Amaral de Sousa, conhecido como “Pavão”, “Lourão”, “Coroa Pavão” e “Didi”, apontado como integrante do núcleo familiar Amaral, identificado como uma das estruturas de liderança da organização no Piauí.

Também aparece na investigação João Vítor Chaves, conhecido como “Meia-Noite”, “Pirulito” e “Subzero”. Segundo as apurações, ele teria atuado na coordenação operacional do plano e seria responsável por selecionar dois executores de Fortaleza, no Ceará, além de providenciar a estrutura necessária para o atentado.

Claudinaio do Nascimento Farias, conhecido como “Barba” ou “Barbudo”, é apontado como homem de confiança da liderança e teria a função de transmitir determinações e acompanhar o cumprimento das ordens.

Antônio de Deus Pereira Neto, conhecido como “Fantasmão”, também é citado por sua suposta participação no suporte logístico e operacional do grupo.

As investigações ainda mencionam André Luiz Felix da Silva, conhecido pelos apelidos “André da Ilha”, “Gordão”, “Babilônia”, “Escobar”, “Pajé” e “Maquinista Louco”, além de Luana Felix Alves, apontada como pessoa que mantinha relacionamento com João Vítor Chaves.

A polícia também investiga a atuação de integrantes que, mesmo após serem presos, continuariam exercendo funções dentro da organização criminosa.

Organização teria ramificações internacionais

As investigações identificaram ainda possíveis conexões do grupo com outros países, principalmente Bolívia e Uruguai, relacionadas ao tráfico de drogas.

A operação deflagrada nesta segunda-feira busca desarticular a estrutura criminosa, cumprir medidas judiciais e identificar outros possíveis envolvidos no planejamento dos atentados e nas atividades de tráfico internacional.

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