O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, afirmou que pretende intensificar as ações para reduzir a abstenção no segundo turno das eleições de 2026. No primeiro turno, realizado no domingo (4), 21,08% dos eleitores não compareceram às urnas, o equivalente a aproximadamente 33,4 milhões de pessoas.
Durante manifestação na noite de domingo, Nunes Marques reconheceu que o índice está acima do desejado pela Justiça Eleitoral e afirmou que o tribunal pretende ampliar as estratégias de mobilização para a próxima etapa da votação.
“Não é o ideal uma abstenção de 20%. A ideia é intensificar e aperfeiçoar todos os mecanismos disponíveis para que a gente consiga diminuir esse percentual no segundo turno”, afirmou.
Segundo o presidente do TSE, a ausência foi ainda mais expressiva entre grupos que não são obrigados a votar. Entre os eleitores com mais de 70 anos, a abstenção chegou a cerca de 50%, enquanto entre jovens de 16 e 17 anos ficou em aproximadamente 20%.
Campanhas buscam incentivar participação
Entre as iniciativas já adotadas pela Justiça Eleitoral está uma campanha com influenciadores digitais, voltada principalmente ao público jovem, para reforçar a importância da participação nas eleições.
Nunes Marques também citou o projeto “Seu Voto Importa”, que oferece transporte para eleitores até os locais de votação e o retorno para casa.
A intenção do TSE é ampliar a divulgação dessas ações e aperfeiçoar os mecanismos de incentivo à participação antes do segundo turno.
Abstenção é a maior desde 1998
O índice registrado no primeiro turno de 2026 é o maior desde 1998, quando a Justiça Eleitoral contabilizou 21,5% de abstenção.
O percentual também mantém uma tendência de crescimento observada nas últimas eleições presidenciais. Em 2022, 20,95% dos eleitores deixaram de votar no primeiro turno. Em 2018, foram 20,33%, enquanto em 2014 o índice ficou em 19,39%.
O cenário preocupa a Justiça Eleitoral especialmente porque o segundo turno será realizado em uma disputa marcada pela polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Uma pesquisa do Instituto Real Time Big Data divulgada em setembro apontou que 55% dos eleitores disseram não estar animados com a eleição presidencial, enquanto 29% afirmaram estar entusiasmados com o pleito.
Diante dos números, o TSE deverá concentrar esforços nas próximas semanas para estimular o comparecimento às urnas e reduzir a taxa de abstenção no segundo turno.


