Uma adolescente conhecida pelo apelido de “Princesinha” é apontada pela Polícia Civil como responsável pelos disparos que mataram a blogueira Rafaella Freire Cabral, de 22 anos, em setembro deste ano, dentro de um clube na zona Leste de Teresina. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (9), durante coletiva de imprensa conduzida pela delegada Nathalia Figueiredo, do Núcleo de Feminicídio do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
De acordo com a investigação, a adolescente teria posição de destaque na facção criminosa Bonde dos 40. A polícia apura a participação de diferentes integrantes da organização no planejamento e na execução do homicídio.
Discussão teria motivado o crime
O assassinato aconteceu no Clube dos Engenheiros, localizado no bairro Satélite, na zona Leste da capital. Conforme a investigação, Rafaella estava no estabelecimento acompanhada do namorado e de familiares quando começou uma confusão motivada por uma disputa pelo uso de uma tomada de energia elétrica.
O desentendimento envolveu o namorado da vítima e pessoas que estavam à mesa de uma mulher identificada como Catarina da Silva. A discussão teria evoluído para agressões físicas.
Posteriormente, Catarina, apontada como integrante do Bonde dos 40, teria discutido diretamente com Rafaella. Segundo relatos colhidos pela polícia, ela teria fotografado a jovem e enviado a imagem a integrantes do grupo criminoso.
A delegada Nathalia Figueiredo informou que imagens analisadas pelos investigadores indicariam que a vítima foi conduzida à força até o local onde acabou baleada.
Suspeita teria efetuado os disparos
Conforme a apuração policial, a adolescente conhecida como “Princesinha” estava em um veículo Sandero branco. Ela teria descido do automóvel e efetuado os disparos contra Rafaella, que morreu ainda no local.
A polícia também identificou um histórico de desentendimentos entre a adolescente e a vítima. Questionada sobre possíveis ligações entre publicações feitas por Rafaella nas redes sociais, nos dias anteriores ao assassinato, e o crime, a delegada afirmou que essa é uma das linhas consideradas pela investigação.
A participação de cada suspeito e a motivação exata do homicídio continuam sendo apuradas.
Operação prende três suspeitos
Na manhã desta sexta-feira (9), a Polícia Civil deflagrou uma operação contra integrantes de uma organização criminosa investigada pelo assassinato da blogueira. Até o momento, três pessoas foram presas temporariamente: Catarina Silva, Manoel Messias, namorado dela, e Sérgio Eduardo, suspeito de dirigir o veículo utilizado na ação criminosa.
Durante a operação, foram cumpridos nove mandados judiciais. Os policiais também apreenderam aproximadamente 20 quilos de skunk, variedade de cannabis, e o carro que teria sido utilizado no homicídio.
Segundo o delegado Charles Pessoa, o entorpecente apreendido está avaliado em mais de R$ 500 mil. As investigações indicam que os suspeitos também estariam envolvidos com o tráfico de drogas e outros crimes violentos.
O veículo estava com Sérgio Eduardo, que, conforme a polícia, utilizaria o automóvel tanto para atividades relacionadas ao tráfico quanto para dar suporte a homicídios. A possibilidade de o carro ser alugado ainda está sendo investigada.
Grupo é investigado por tráfico e “tribunal do crime”
Segundo a Polícia Civil, as diligências identificaram uma célula criminosa com divisão de tarefas e atuação no tráfico de drogas e em homicídios na região. O grupo também é investigado por intimidar moradores, demarcar territórios e promover julgamentos clandestinos conhecidos como “tribunal do crime”.
Durante a operação, uma segunda adolescente que já era procurada pelo Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) também foi apreendida.
Polícia apura outras possíveis motivações
A investigação também considera o histórico de relacionamentos de Rafaella com pessoas apontadas como integrantes de organizações criminosas. A blogueira teria mantido um relacionamento com Rômulo Raphael dos Santos Morais, apontado como uma das lideranças da facção Família do Norte, em Manaus, no Amazonas.
Ela também foi casada com Jad Rubens, assassinado em fevereiro de 2025. Uma das linhas investigativas relacionadas à morte dele considera a possibilidade de o crime ter ligação com uma dívida de R$ 30 mil que envolveria Rômulo e estaria relacionada ao tráfico internacional de drogas.
A Polícia Civil apura se os conflitos envolvendo esses relacionamentos têm alguma conexão com o assassinato de Rafaella. Até o momento, essa possível relação não foi apresentada como uma conclusão definitiva da investigação.
As autoridades afirmaram que novas diligências serão realizadas para esclarecer todas as circunstâncias do homicídio, identificar outros participantes e localizar os suspeitos que ainda não foram encontrados, entre eles Rômulo Raphael dos Santos Morais.
O caso segue sob investigação do Núcleo de Feminicídio do DHPP, com apoio do DRACO. Parte das informações permanece sob sigilo para não comprometer as próximas etapas da apuração.


