InícioGeral30 piauienses são resgatados de trabalho escravo na Bahia durante operação federal

30 piauienses são resgatados de trabalho escravo na Bahia durante operação federal

Trinta trabalhadores piauienses foram resgatados de condições degradantes de trabalho no interior da Bahia durante uma operação do Grupo Móvel de Combate ao Trabalho Escravo. A ação ocorreu na última semana nos municípios de Gentio do Ouro e Várzea Nova, no sertão baiano, e contou com a participação de instituições como o Ministério Público do Trabalho (MPT), Defensoria Pública da União (DPU), Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e Polícia Federal.

Os piauienses atuavam na extração da palha da carnaúba sem qualquer tipo de Equipamento de Proteção Individual (EPI), em condições precárias de higiene, alimentação e descanso. A força-tarefa também encontrou 27 trabalhadores em situação semelhante na cadeia produtiva do sisal, totalizando 57 pessoas resgatadas.

Segundo o procurador do MPT Edno Moura, que participou da operação e atua no Piauí, o empregador responsável pelos piauienses não compareceu à audiência de conciliação, mas já foi identificado. “A ausência não impede a responsabilização. O processo será conduzido no estado de origem dos trabalhadores, o que deve acelerar as medidas judiciais”, destacou.

De acordo com Moura, a produção de carnaúba na Bahia tem atraído empregadores da região Norte e Nordeste devido à qualidade da matéria-prima e à entressafra no Piauí. O mesmo empregador já é investigado em outros casos por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão.

Além dos piauienses, outros 12 trabalhadores do Ceará foram encontrados na mesma atividade. Neste caso, o empregador firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o MPT e iniciou o pagamento das verbas rescisórias.

Na cadeia do sisal, 15 baianos também foram resgatados. Dois empregadores e um proprietário rural assinaram compromissos com o MPT para garantir a rescisão contratual e o retorno dos trabalhadores às suas casas.

Todos os resgatados terão direito ao benefício emergencial equivalente a três parcelas do seguro-desemprego especial. O MPT articula, ainda, com prefeituras e governos estaduais, o acompanhamento social e o suporte às vítimas no período pós-resgate.

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