População também queimou documentos e expulsou Paola Amaral de bairro; travesti vive agora em casa abandonada

Paola Amaral foi brutalmente agredida na zona Norte de Teresina (Foto: Reprodução)

Populares do bairro Parque Brasil, na zona Norte de Teresina, teriam ateado fogo nos documentos de Paola Amaral, travesti que foi amordaçada dentro de porta-malas de um veículo, agredida com um pedaço de madeira e chutes, pelo suposto roubo de um botijão de gás e um colar. Informações apuradas pelo OitoMeia, nesta quinta-feira (22/07), são de que dois homens foram indiciados pelo crime de linchamento, ouvidos e respondem em liberdade.

A gerente de enfrentamento à LGBTFOBIA, Josenae Borges, informou à reportagem que os moradores teriam queimado os pertences de Paola Amaral para impedi-la de retornar ao local. A travesti havia se instalado ali em um local de invasão, pois costumava trabalhar realizando faxinas na região. Após ser expulsa, ela está morando junto da avó em uma casa abandonada no bairro São Joaquim.

“Eles disseram que não era para ir mais e hoje está na casa da avó, que é um lugar que não tem teto, não tem estrutura. Estamos correndo atrás de uma casa de acolhimento para ela junto a Semcaspi. Inclusive, a chuva que houve essa semana ela pegou toda. Estamos fazendo toda a intervenção e amanhã vamos tirar uma nova documentação para ela”, declarou. 

PAOLA SERÁ INSERIDA EM PROGRAMA SOCIAIS

Após o linchamento, Paola Amaral recebeu apoio de entidades (Foto: Divulgação)

A reportagem também conversou com o conselheiro municipal de Direitos das populações LGBTQI+, Danilo Amorim, que informou que a prioridade agora é recuperar a documentação. Em seguida, Paola ganhará oficialmente o direito a usar seu nome social nos documentos que foram perdidos. Outra medida avaliada pelo Conselho é que ela também possa ser cadastrada para que possa receber benefícios sociais.

“O que pode ser feito é primeiramente é procurar o nome civil para que possamos estar realizando intervenções. Vamos enviar para o CREA para que possa participar dos programas a nível Federal, Estadual e Municipal. Também para que possamos estar enviando ela para um abrigo, claro que com o consentimento dela”, frisou. 

FONTE: OITOMEIA