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CBF usou nome de Ciro Nogueira para pressionar Anvisa a liberar Brasil x Argentina

Documento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), assinado pelo servidor Yunes Eiras Baptista, afirma que o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ednalo Rodrigues, acionou o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, para tentar liberar o jogo Brasil X Argentina, suspenso por descumprimento de medidas sanitárias por parte dos jogadores argentinos.

De acordo com o relato de Yunes, que entrou em campo para impedir a continuidade da partida, ocorreram várias tentativas de obstruções ao seu trabalho.

“Fui abordado pelo Sr. Ednaldo Rodrigues – Presidente da CBF informando que estava em contato com a Casa Civil e se eu poderia falar com o Sr. Ministro Ciro Nogueira, neguei o contato e informei que se dirigisse à diretoria da ANVISA a qual me encontrava subordinado visto que se tratava de ação sanitária e legal”, registra trecho do documento.

A tentativa acabou frustrada depois que o servidor negou procurar Ciro Nogueira. Ainda de acordo com ele, várias outras pessoas que “se identificaram como dirigentes de alguma instituição perguntaram se seria possível negociação”.

Outros, como o vice-presidente da Comissão de Governança e Transferência da Conmebol, Sergio Ribas, tentaram “conversas mais discretas”. Ribas “solicitou se poderia fornecer o telefone para contato de algum diretor da Anvisa ao qual estaria subordinado”.

“Durante todo este tempo fiquei em pé no corredor de acesso ao vestiário da Argentina e cercado por seguranças, dirigentes e comissão técnica, sendo minha proteção os policiais da PF e dois policiais militares do estado de SP”, diz trecho do relatório.

Pelas regras sanitárias brasileiras, viajantes estrangeiros que tenham passado nos últimos 14 dias pelo Reino Unido, África do Sul e Índia estão impedidos de ingressar no Brasil, como forma de evitar a disseminação da variante delta do coronavírus. Quatro jogadores argentinos prestaram informações falsas para não serem barrados e acabaram impedidos de jogar.

O presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, negou que “tenha feito qualquer contato com servidores da Anvisa”.

FONTE: Metrópoles

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