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Motoristas e entregadores por aplicativo paralisam atividades e cobram plataformas e Prefeitura de Teresina

Motoristas e entregadores por aplicativo interromperam as atividades na manhã desta sexta-feira (31) e realizaram uma manifestação pelas ruas de Teresina para cobrar melhores condições de trabalho, mudanças na política de repasses das plataformas digitais e respostas da Prefeitura sobre demandas da categoria.

A concentração aconteceu no Pit Stop da Cidadania. Em seguida, os participantes seguiram em carreata passando pela Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans), Palácio da Cidade e Avenida Frei Serafim. O protesto faz parte de uma mobilização nacional realizada simultaneamente em diversas cidades do país.

Além das reivindicações direcionadas às empresas de transporte por aplicativo, os trabalhadores também criticaram a atuação da gestão municipal, principalmente em relação à fiscalização de trânsito. Segundo a categoria, o número de multas aplicadas pela Strans tem impactado diretamente a renda dos profissionais.

Dados da própria Strans apontam que, somente em 2025, foram registradas 152.249 autuações de trânsito, resultando em uma arrecadação de R$ 55 milhões, sendo a maior parte das infrações identificada por radares eletrônicos e câmeras de monitoramento.

O presidente da Associação de Motoboys e Entregadores por Aplicativo do Piauí, Pedro Vitor, afirmou que a categoria tenta dialogar com a Prefeitura há meses, mas não recebeu retorno aos ofícios encaminhados.

“A Prefeitura de Teresina está prestando um desserviço à população. O prefeito não nos recebe, não atende os nossos ofícios. Somos trabalhadores, pagadores de impostos, e estamos vendo um total descaso. Além das pautas nacionais, estamos reivindicando contra essa falsa promessa de 100% dos ganhos das plataformas, porque hoje estamos pagando para trabalhar e não estamos tendo o retorno prometido”, declarou.

Pedro Vitor destacou ainda que a mobilização ocorreu em diversas capitais brasileiras e afirmou que novos protestos poderão ser realizados caso não haja avanço nas negociações.

“Nossa manifestação acontece em todas as capitais e em diversas cidades do Brasil. Nós não vamos desistir nem baixar a cabeça. Já protocolamos vários ofícios solicitando reuniões e não fomos atendidos. Se continuar esse silêncio, vamos continuar nos manifestando”, afirmou.

Durante o ato, o motorista por aplicativo Matheus Moura relatou que recebeu autuações que considera injustas e criticou a dificuldade para recorrer das multas.

“Recebi uma multa que realmente reconheço, mas também fui multado por supostamente furar um bloqueio policial e até por andar de chinela. Tentamos recorrer, mas nunca temos retorno. No fim, somos obrigados a pagar de qualquer jeito”, disse.

Ele também criticou o novo modelo de cobrança das plataformas digitais, principal pauta da mobilização nacional.

“Estamos pagando para ter 100% dos ganhos, mas isso não está acontecendo. Continuamos recebendo praticamente os mesmos valores pelas corridas. Estamos pagando para trabalhar e nada mudou”, afirmou.

Até a publicação desta reportagem, a Prefeitura de Teresina e a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans) não haviam se pronunciado sobre as reivindicações da categoria. O espaço permanece aberto para manifestações da administração municipal e das plataformas citadas pelos trabalhadores.

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