A Polícia Civil do Piauí deflagrou, nesta terça-feira (25), duas operações simultâneas para desarticular grupos suspeitos de aplicar golpes pela internet. As ações, denominadas Compra Fantasma e Miragem Financeira, cumpriram mais de 40 mandados judiciais nos estados do Piauí, Minas Gerais e São Paulo.
Até o momento, nove pessoas foram presas, sendo oito em São Paulo e uma em Teresina. As investigações apontam que os dois grupos atuavam em esquemas distintos de fraudes eletrônicas, tendo como principais alvos vítimas piauienses.
Segundo a Polícia Civil, mais de 100 vítimas foram identificadas somente no Piauí, e o prejuízo causado pelos dois grupos já ultrapassa R$ 1 milhão.
As investigações são coordenadas pelo Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), com apoio da Superintendência de Operações Integradas (SOI) e das Polícias Civis de Minas Gerais e São Paulo. Os mandados de prisão temporária e de busca e apreensão foram expedidos pela Central de Inquéritos da Comarca de Teresina.
Golpe da compra fantasma
A Operação Compra Fantasma investiga um esquema que tinha como alvo pessoas que anunciavam produtos usados em plataformas de compra e venda, como Mercado Livre e OLX.
Conforme a investigação, os suspeitos entravam em contato com os vendedores e se apresentavam como interessados nos produtos. Em seguida, encaminhavam e-mails falsos que simulavam uma confirmação de pagamento.
Após convencer o vendedor de que a negociação havia sido concluída, os criminosos enviavam um motorista de aplicativo para buscar a mercadoria. O produto era entregue sem que o pagamento tivesse sido efetivamente realizado.
As mercadorias eram posteriormente revendidas por integrantes do grupo. De acordo com a polícia, o dinheiro obtido com as vendas era dividido entre os envolvidos: 70% ficavam com o líder da organização e 30% com a pessoa responsável por receber os produtos.
Em Teresina, uma mulher identificada como Geyse Vitória foi presa suspeita de participação no esquema. Segundo o delegado Humberto Mácola, do DRCC, ela seria responsável por receber os produtos obtidos por meio das fraudes e encaminhá-los para integrantes da organização em São Paulo.
“Deflagrando agora a operação Compra Fantasma, na qual uma nacional aqui em Teresina recebia os produtos do golpe e repassava para a organização em São Paulo”, explicou o delegado.
Grupo aplicava falso golpe de investimento
Já a Operação Miragem Financeira investiga outro grupo, que utilizava aplicativos de mensagens para abordar possíveis vítimas.
Segundo a Polícia Civil, os criminosos criavam perfis falsos de supostos consultores de investimentos e utilizavam indevidamente o nome de uma instituição financeira conhecida para passar credibilidade.
Depois do contato inicial, as vítimas eram convencidas a instalar um aplicativo falso de corretora e realizar transferências via PIX para empresas de fachada controladas por terceiros.
O golpe era descoberto somente depois, quando as vítimas percebiam que o investimento não existia ou não conseguiam recuperar os valores transferidos.
Polícia orienta população
A Polícia Civil alerta para os cuidados necessários durante negociações pela internet. Uma das principais recomendações é desconfiar de compradores que tentem retirar a negociação das plataformas oficiais.
Antes de entregar qualquer produto, o vendedor deve confirmar o recebimento do dinheiro diretamente no aplicativo ou site oficial do banco. Comprovantes enviados por terceiros não devem ser considerados como garantia de pagamento.
Em relação a investimentos, a orientação é desconfiar de propostas que prometam rendimentos muito acima dos praticados normalmente no mercado. Também é importante verificar se a empresa e os profissionais envolvidos possuem registro nos órgãos reguladores, como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central.
As investigações continuam para identificar outros possíveis integrantes dos grupos e esclarecer a participação de cada suspeito nos esquemas.


