Afinal, quanto a Prefeitura de Teresina repassou ao Setut? Versões divergem

A Comissão de Inquérito Parlamentar (CPI) do transporte completou recentemente 30 dias, já tendo ouvido trabalhadores, empresários e ex-gestores. A cada etapa da apuração visa aproximar-se da resposta que busca: existe o cumprimento da licitação dos consórcios de transportes urbanos da capital?

Neste período, o OitoMeia tem buscado apurar, de fato, qual o valor total repassado pela Prefeitura de Teresina ao Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (Setut) nos últimos anos. A pauta se deu pois os empresários alegam que o sistema está preste a colapsar por falta de repasses, enquanto a gestão atual, por meio do secretário de Finanças Robert Rios (PSB), afirma que havia “sangramento dos cofres públicos” para o setor.

VERSÕES DIVERGEM

A coluna já havia adiantado que Robert Rios revelou que os empresários ligados ao transporte público receberam da administração passada valores que chegam a R$ 224 milhões. O Setut, por sua vez, rebateu a declaração, afirmando ter sido repassado pela gestão tucana R$ 80 milhões, entre janeiro de 2015 e maio de 2021.

Nesta terça-feira (22/06), durante depoimento dos ex-procuradores na CPI, a colunista obteve mais duas versões acerca deste valores recebidos.

Questionado, o procurador adjunto Ricardo Almeida pontuou não ter informações de que a prefeitura tenha repassado R$ 224 milhões aos empresários: “Me recordo de acordos de R$9 milhões, R$ 36 milhões. Não sei se totalizando dá esse total. Então, não tenho como informar”. Ricardo Almeida atuou na função tanto na administração do ex-prefeito Firmino Filho (PSDB), quanto agora na gestão do prefeito Dr Pessoa (MDB).

Procurador Ricardo Almeida (Foto: PMT/ Divulgação)

O presidente da Comissão, o vereador Dudu Borges (PT), informou que recebeu nos anais da CPI documentos que mostram repasses de R$ 65 a R$ 66 milhões de subsídios apenas nos últimos três anos e mais  R$ 50 milhões em vale transporte. O presidente da CPI pontuou acreditar que o valor repassado deve aproximar-se do que foi informado por Robert Rios.

Durante as oitivas dos empresários um fato foi consenso: todos eles alegaram não saber informar exatamente quanto receberam do poder público e pediram que os valores fossem repassados, posteriormente, por suas equipes de técnicos. O ponto tem sido duramente questionado pelo petista desde então.

Até agora a CPI recebeu informações referentes à 2020, 2019 e 2018. Neste momento, a comissão aguarda receber os números equivalentes aos anos anteriores a 2017.

“Uma coisa é certa: estamos falando de muito dinheiro público a título de subsídio. Estamos vendo que ao longo destes anos todos a Prefeitura nunca questionou nada. E como diz o velho ditado popular isso é “incrível””, ironizou. “Não precisa morar em Teresina para saber que o transporte não presta e a partir de quando. Basta perguntar e todos vão dizer que é histórico. É a prefeitura que fiscaliza esse transporte e mesmo assim nunca foi na Justiça para dizer sobre o cumprimento, enquanto o outro lado [ o Setut] sempre entrou na Justiça atrás de dinheiro e ganhou”, frisou.

Vereador Dudu Borges (Foto: Ricardo Morais/ OitoMeia)

Questionado sobre a conclusão do relatório da CPI, Dudu Borges não deu detalhes, mas frisou que os membros “Já tem uma luz”. Com a conclusão do documento, o teresinense, talvez tenha a resposta para a pergunta: afinal, quanto o Setut lucrou com o sistema de transporte da capital?

FONTE: OITOMEIA