Parque Zoobotânico de Teresina: local foi reaberto recentemente e agora passa por sua maior transformação com a saída dos animais (Foto: Ricardo Morais / OitoMeia)
Inaugurado na década de 70 como um dos maiores parques ecológicos do Nordeste, o Parque Zoobotânico de Teresina vai passar por uma de suas maiores transformações de sua história. Talvez a maior e a mais importante.
A Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Semar) anunciou nesta quarta-feira (14/07), através de sua assessoria de comunicação, que firmou uma parceria com a Confederação Brasileira de Proteção Animal e vai preparar um protocolo para libertação de leões, onças, macacos e demais animais do Zoobotânico.
Uma entrevista coletiva está marcada para esta quinta-feira, dia 15, às 10h na sede do órgão do Governo do Estado. Segundo a assessoria da Semar, “o protocolo tem como objetivo a transferência colaborativa e escalonada de animais exóticos que atualmente vivem no Zoobotânico para santuários e habitats naturais”.
Esses animais passarão a viver fora do Piauí, de forma livre. Os locais serão buscados pelas autoridades competentes, com participação da Confederação Brasileira de Proteção Animal e da Força Aérea Brasileira (FAB), garantindo a segurança e o bem estar físico e psicológico dos animais. Desde o transporte até a transferência deles para santuários.

Para muitos, significa o “fim” do Zoobotânico, como vêm pedido há anos diversas instituições e órgãos de proteção dos animais. Pesquisadores do Instituto de Conservação da Biodiversidade Chico Mendes (ICMBio) argumentaram, em um especial sobre a natureza promovido pelo Portal G1, da Rede Globo, em fevereiro de 2019, defenderam o fechamento dos 108 parques zoológicos do País no modelo semelhante ao Zoobotânico de Teresina sob o argumento de que manter animais selvagens enjaulados é crueldade. “Animais selvagens podem desenvolver neuroses e outras doenças em cativeiro. Zoológicos muitas vezes mantêm animais exóticos em ambientes inadequados às necessidades de cada espécie”, dizia texto assinado pelo ICMBio.
Em Teresina, a vereadora Thanandra Sarapatinhas foi uma das que mais defendeu o remanejamento dos animais do Parque Zoobotânico para seus habitats naturais. No começo deste mês de julho, a parlamentar chegou a entrar com uma representação no Ministério Público do Piauí (MP-PI) solicitando a transferência dos animais do Parque Zoobotânico de Teresina para santuários. A solicitação chegou inclusive até a secretária estadual de Meio Ambiente Sádia Castro. Ao saber que seu pedido seria atendido nesta quarta-feira, Thanandra postou um vídeo em suas redes sociais comemorando: “A nossa campanha para libertar os animais deu certo. Todos serão transferidos para santuários. Queria agradecer a todos que ajudaram, que compartilharam, incluindo todos os protetores de animais”.
Procurada pelo OitoMeia, a secretária Sádia Castro informou que não existe “fim do Zoobotânico”, apesar de especialistas veem desta forma, já que com a transferência dos animais, o “zoo” passa a ser desnecessário. Questionada se o espaço ainda seria usado como parque ecológico, a secretária informou que só pretende falar sobre o assunto nesta quinta-feira: “Amanhã (quinta) darei uma entrevista justamente para falar a respeito dos animais do CETAS (Centro de Triagem de Animais Silvestres) e do Zoobotânico. Prometo que serei bem didática”. Em sua fala repassada por sua assessoria de imprensa, a secretária concorda com uma reivindicação dos protetores de animais e considera que “a associação de lazer e diversão com animais em recintos fechados está totalmente ultrapassada”.

O ZOOBOTÂNICO
Situado na avenida Kennedy, zona Leste de Teresina, o Parque Zoobotânico de Teresina foi inaugurado em maio de 1973. O governador era Alberto Silva. Compreende uma área de 136 hectares, coberto por muito verde. Considerada uma área de preservação ambiental, o parque é administrado pelo Governo do Piauí através da Semar. Além de conservar árvores como jatobá, sapucaia, angico branco, pitombeira, ipê-amarelo, entre outras, tem um acervo com animais nativos, como leões, onça pintada, macacos-prego, hipopótamo, cobras etc. Já passou por diversas reformas e paralisações. Entre as mais recentes, reabriu há poucos meses após o fechamento por conta da pandemia e recebeu diversas críticas, sobretudo no quesito conservação e estrutura do local. Mesmo assim, é um dos parques mais visitados da cidade. Maior pico de visitação acontece aos domingos, com famílias se reunindo para ver os animais e aproveitar o espaço em meio a natureza para o lazer com crianças ou para prática de atividades físicas. O custo da entrada é de R$ 2,00.
FONTE: OITOMEIA

