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Pacto Brasil Contra o Feminicídio é lançado em Teresina com apelo de Janja por união no combate à violência contra a mulher

O lançamento do Pacto Brasil Contra o Feminicídio, realizado nesta quinta-feira (30), em Teresina, reuniu autoridades federais, estaduais e representantes da rede de proteção às mulheres em um chamado à união para enfrentar a violência de gênero. Durante a solenidade, a primeira-dama do Brasil, Rosângela Lula da Silva, a Janja, afirmou que o feminicídio representa uma tentativa de apagar a história e a existência das mulheres e defendeu o fortalecimento das políticas públicas de proteção.

O evento aconteceu no Hotel Blue Tree, na zona Sul da capital, e contou com a presença de representantes dos três Poderes, ministros, parlamentares e integrantes da rede de enfrentamento à violência contra a mulher.

Em um discurso emocionado, Janja iniciou sua fala citando nomes de vítimas de feminicídio no Piauí, destacando que cada mulher assassinada deixa uma história interrompida e uma família marcada pela dor.

“Cito o nome das vítimas para que a gente não esqueça. Existe um rosto, história, dor familiar que poderia ser evitado. O feminicídio é tentar destruir toda a história da mulher, desfigura seu rosto, eles querem anular o traço de existência da mulher.”

A primeira-dama também relembrou o caso da estudante Janaína Bezerra, estuprada e assassinada em 2023 dentro da Universidade Federal do Piauí (UFPI), e afirmou que espera não precisar mais mencionar nomes de vítimas em eventos como esse.

“Meu sonho é não precisar mais citar nomes de mulheres mortas pelo feminicídio.”

Janja ressaltou ainda que o enfrentamento ao feminicídio exige o comprometimento de toda a sociedade e a atuação conjunta dos governos, do sistema de Justiça, das forças de segurança e da rede de assistência às mulheres.

“Todos têm que se unir”

O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, reforçou que o combate ao feminicídio vai além da atuação policial e depende do envolvimento de diferentes setores da sociedade.

“O pacto é dizer que o problema não é só de segurança, mas cultural, estrutural, precisa da conjunção de esforços. Todos têm que se unir. União é fundamental”, afirmou.

Durante o discurso, Chico Lucas homenageou mulheres que marcaram a história da defesa dos direitos femininos no Piauí, como a delegada Vilma Alves, primeira mulher delegada do estado; Eugênia Villa, pioneira na implantação da Delegacia de Combate ao Feminicídio; e Esperança Garcia, reconhecida como a primeira advogada do Brasil após denunciar os maus-tratos sofridos durante o período da escravidão.

O secretário destacou ainda que o combate ao feminicídio tornou-se prioridade do Governo Federal e atribuiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à primeira-dama Janja o fortalecimento das políticas voltadas à proteção das mulheres.

“O presidente Lula se sensibilizou e trouxe para o centro do debate o enfrentamento ao feminicídio.”

Piauí é referência na redução dos casos

Durante a solenidade, a secretária estadual das Mulheres, Diva Vasconcelos, destacou que o Piauí aderiu ao Pacto Brasil Contra o Feminicídio em 2025 e que o lançamento oficial reforça o compromisso do Estado com a proteção da vida das mulheres.

Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Piauí, o estado registrou redução de 61% nos casos de feminicídio no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. Apesar da queda, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta aumento em crimes como estupro, importunação sexual e violência psicológica.

A delegada Nathália Figueiredo, do Núcleo de Combate ao Feminicídio, afirmou que a redução dos índices depende de mudanças estruturais na sociedade.

“O feminicídio é reflexo ainda de uma sociedade permeada pelo machismo. Essa redução dos números requer justamente uma mudança de mentalidade. É necessário um viés preventivo e repressivo realizados de forma coesa, conjunta.”

Já a coordenadora da Casa da Mulher Brasileira, Andrea Bastos, informou que a instituição já realizou cerca de 50 mil atendimentos a mulheres vítimas de violência no Piauí desde sua implantação.

Autoridades presentes

A cerimônia reuniu a ministra das Mulheres, Márcia Lopes; o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias; o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas; o governador Rafael Fonteles; a primeira-dama Isabel Fonteles; o presidente da Assembleia Legislativa do Piauí, Severo Eulálio; representantes do Tribunal de Justiça, além dos senadores Marcelo Castro e Jussara Lima.

Antes da solenidade, Janja participou de um encontro com entidades ligadas à defesa dos direitos das mulheres. O evento ocorreu com acesso restrito, esquema reforçado de segurança e detectores de metais na entrada do auditório.

A agenda integra uma série de visitas da primeira-dama aos estados brasileiros para mobilizar governos e sociedade em torno do enfrentamento ao feminicídio e da promoção da igualdade de gênero.

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